"SAUDADES DOS NATAIS DE MINHA INFÂNCIA"
EU ERA FELIZ E EU SABIA!
Quem me dera voltar no tempo.
Saudades do espirito natalino, de quando eu era criança.
Ah, a magia de preparar o presépio, sair para buscar lodo verde,
que cheirinho bom, desembrulhar com todo cuidado, as pequeninas imagens,bem enroladas em jornal,
que minha mãe guardava por todo ano em cima do guarda roupas dentro de um balainho
oval.
Tudo era um encanto, lindo, magico.
O presépio tinha um
cheiro de terra molhada, devido ao lodo.com o qual forrávamos a mesa, para
montagem.
Minha mãe lavava as roupas de cama para receber os hospedes ,
eram familias e amigos que vinham do Rio e de Belo Horizonte.
Os doces eram preparados com antecedências, doces simples
como arroz doce, doce mamão, de cidra, de leite, e o preferido de todos,o doce
de pau de mamão, claro que sempre acompanhado de bons queijos.
O vinho era preparado também por minha mãe, que sempre tinha
nossas delicadas mãozinhas a lhe ajudar a espremer a jabuticabas.Após o
processo de preparação, tudo artesanal,as garrafas decorados eram enterradas no
barro branco, era a nossa adega.Era
feito em um ano para se consumir no ano seguinte.Era elogiado por todos, este
vinho e nunca podia faltar.
É muito gostoso relembrar tudo isto.
Para nós tudo era festa.
Presentes? Sempre ganhávamos bonecas.Colocavamos nossos
humildes sapatinhos atrás da porta da
sala , e no dia seguinte lá estava uma boneca pra cada criança.Ganhavamos
apenas um presente, mas papai Noel nunca
nos esquecia.Só minha mãe, minha rainha , ela sim, ganhava muitos presentes das
comadres que sempre lhes davam lindas toalhas de mesas e copos,ela merecia ,era
meu porto seguro. inclusive tenho algumas toalhas e taças, que lhes foram
presenteados em algum natal.
O unico presente diferente que ganhei, foi uma rural azul de
plastico que me pai me deu, foi também o ultimo de minha infãncia, e este não
fora colocado no sapatinho, foi entregue em mãos.Incrivel é que neste dia meu
pai (caladão, serio,conservador, isto dentro de casa, porque fora, vim a saber
mais tarde, que ele pintava e bordava com outras damas rsrsrs..Mas foi meu
heroi, meu pai, meu exemplo.) Neste natal ele chamou minhas primas e deu-lhes
um fusca rosa,um pra cada uma.Vieram correndo me mostrar. Fiquei morrendo de
ciumes, perdi o chão, triste, me sentindo rejeitada, daí a pouco ele me chamou
em seu quarto,dificilmente saia do quarto só para receber visitas, chegava do
trabalho e se enfurnava lá, sempre ouvindo seu radio, era muito sábio, informado ,escreveu muitos
discursos para importantes políticos aqui de Minas Gerias, inclusive pra um
governador .
olhou tenramente pra mim e disse:Este é seu, o meu era diferente, era uma rural azul, felicidade total, êxtase,eu era a filha,entendi que ele me amava mais que a elas.Foi o ultimo presente de natal de infância , mais foi perfeito, especial.Um divisor de águas entre eu e elas.
Não tinhamos ceia, não tinhamos arvores coloridas e iluminadas, mais
tinhamos o que hoje muitos não tem.Paz!olhou tenramente pra mim e disse:Este é seu, o meu era diferente, era uma rural azul, felicidade total, êxtase,eu era a filha,entendi que ele me amava mais que a elas.Foi o ultimo presente de natal de infância , mais foi perfeito, especial.Um divisor de águas entre eu e elas.
Dormíamos cedo, nossa festa era só no dia 25, ai sim,
comiamos, bebíamos, brincávamos, visitávamos os moradores do pequeno povoado,
víamos gente diferente com roupas novas e bonitas, casais namoravam de mãos
dadas, felizes, alguns se embebedavam,outros dançavam no terreiro de alguma
casa.Eu adorava vestir minha roupa nova de natal, calçar meus sapatinhos novos,
pois no natal sempre ganhávamos roupas novas, meu pai comprava os tecidos e
minhas irmãs costuravam.Eu amava as calçinhas de elásticos nas virilhas, pois
durante o ano minha mãe costurava calçinhas de um tal de morim, no natal eu
ganhava uma nova comprada na loja do Nenem,ah, este era daltônico ou do Sô Valdi (Senhor Valdir).Queria que
todos vissem, sempre abaixava para que pudessem ver que minha calçinha também era
nova e de elástico nas virilhas.E sempre que assim procedia, tomava um
xingamento de minha mãe que dizia :Minina toma modo! Coisas de crianças..
Pois é ,eu cresci,tudo passou..
Mas posso dizer:Eu era feliz...e eu sabia!
Saudades deste espírito natalino, que hoje virou
consumismo..
Saudades de tudo...Inclusive deles que me deram o natal, que
me deram a vida..
Dona lia... (Maria)
E senhor Torga.....
(Otorgamim)
Meus pais....In memorian
Elizete Dias.

Muito boa essas lembranças de natais de nossa infância.
ResponderExcluirTambém tenho contado as minhas e postado.
Parabéns pelo trabalho.
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau