terça-feira, 17 de dezembro de 2013






                        O DESCASO,TRANSFORMOU O TAPETÃO AZUL
                               NUM IMENSO CAMPO DE AGUAPÉS.

 
Eu morava num povoado, onde o único meio de transporte eram os trens de passageiros.
Uma vez que a estrada de rodagem, era só promessas  eleitoreiras.
Quando minha mãe dizia que íamos a Belo Horizonte,eu ficava feliz,pois veria um cartão postal,a famosa lagoa da Petrobrás.
A viagem não era longa ,durava em torno de duas horas e meia.
Mesmo assim o sono sempre me roubava.Minha mãe que não dormia apesar de todo cansaço, provocado pelos os filhos e o trabalho domestico, se mantinha alerta, e quando se aproximava dos tuneis ela me acordava, era um assombro passar pelo túneis eram dois no percurso,um breu como ela dizia.
Acordava, e logo voltava a dormir.
Quando se aproximava da cidade Ibirité, já bem próximo da capital mineira,ela me acordava e dizia :Olha, já tá pertinho da lagoa.
Que maravilha ver aquele tapetão azul, a sumir de vista, era maravilhosa a visão,um encanto ver as águas aos pés de pequenas montanhas que cercava aquela imensidão azul.
Eu crescia e a lagoa parecia crescer junto.Era belo, era real, era muito bem cuidada..
Anos mais tarde vim morar em Belo Horizonte, e sempre passava pela lagoa de carro, de ônibus, e o encanto não se perdia,até...que uma de minhas irmãs comprou uma casa na cidade de Sarzedo, e o acesso a cidade são as marginais desta lagoa.Um dia percebi que a lagoa estava um pouco desleixada, os aguapés cobriam algumas partes, fiquei triste mas pensei, que era só por um período, depois a limpariam e ela estaria salva,limpa.Porém cada vez que ali passava, meus olhos que antes se enchiam de prazer ao olhar para aquele cartão, agora se enchiam de tristeza, pelo descaso, pela sujeira.Hoje não se vê mais as águas, hoje o tapetão azul, está um vasto campo verde, coberto de capins e aguapés,seria lindo se fosse um campo,coberto de  gramas, mas não o tapetão verde, encobre o descaso, a irresponsabilidade.Os pescadores dos finais de semana, ali não vão mais,está abandonada, e cercada de mansões.
Os únicos visitantes que recebe são as garças, que ficam em cima das plantas invasoras.

O que fazer?

Salvem a natureza,
salvem as águas,
salvem meu cartão postal,
Salvem a lagoa da Petrobrás.
Deixe as águas viver...
A natureza pede uma chance!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013






                  





            "SAUDADES DOS NATAIS DE MINHA INFÂNCIA"
                                                EU ERA FELIZ E EU SABIA!


Quem me dera voltar no tempo.

Saudades do espirito natalino, de quando eu era criança.

Ah, a magia de preparar o presépio, sair para buscar lodo verde,
que cheirinho bom, desembrulhar com todo cuidado, as pequeninas imagens,bem enroladas em jornal,
que minha mãe guardava por todo ano em cima do guarda roupas dentro de um balainho
oval.
Tudo era um encanto, lindo, magico.
O  presépio tinha um cheiro de terra molhada, devido ao lodo.com o qual forrávamos a mesa, para montagem.
Minha mãe lavava as roupas de cama para receber os hospedes , eram familias e amigos que vinham do Rio e de Belo Horizonte.
Os doces eram preparados com antecedências, doces simples como arroz doce, doce mamão, de cidra, de leite, e o preferido de todos,o doce de pau de mamão, claro que sempre acompanhado de bons queijos.

O vinho era preparado também por minha mãe, que sempre tinha nossas delicadas mãozinhas a lhe ajudar a espremer a jabuticabas.Após o processo de preparação, tudo artesanal,as garrafas decorados eram enterradas no barro  branco, era a nossa adega.Era feito em um ano para se consumir no ano seguinte.Era elogiado por todos, este vinho e nunca podia faltar.

É muito gostoso relembrar tudo isto.
Para nós tudo era festa.

Presentes? Sempre ganhávamos bonecas.Colocavamos nossos humildes  sapatinhos atrás da porta da sala , e no dia seguinte lá estava uma boneca pra cada criança.Ganhavamos apenas um presente, mas papai Noel  nunca nos esquecia.Só minha mãe, minha rainha , ela sim, ganhava muitos presentes das comadres que sempre lhes davam lindas toalhas de mesas e copos,ela merecia ,era meu porto seguro. inclusive tenho algumas toalhas e taças, que lhes foram presenteados em algum natal.

O unico presente diferente que ganhei, foi uma rural azul de plastico que me pai me deu, foi também o ultimo de minha infãncia, e este não fora colocado no sapatinho, foi entregue em mãos.Incrivel é que neste dia meu pai (caladão, serio,conservador, isto dentro de casa, porque fora, vim a saber mais tarde, que ele pintava e bordava com outras damas rsrsrs..Mas foi meu heroi, meu pai, meu exemplo.) Neste natal ele chamou minhas primas e deu-lhes um fusca rosa,um pra cada uma.Vieram correndo me mostrar. Fiquei morrendo de ciumes, perdi o chão, triste, me sentindo rejeitada, daí a pouco ele me chamou em seu quarto,dificilmente saia do quarto só para receber visitas, chegava do trabalho e se enfurnava lá, sempre ouvindo seu radio, era  muito sábio, informado ,escreveu muitos discursos para importantes políticos aqui de Minas Gerias, inclusive pra um governador  .
olhou tenramente pra mim e disse:Este é seu, o meu era diferente, era uma rural azul,  felicidade total, êxtase,eu era a filha,entendi que ele me amava mais que a elas.Foi o ultimo presente de natal de infância , mais foi perfeito, especial.Um divisor de águas entre eu e elas.
Não tinhamos ceia, não tinhamos arvores coloridas e iluminadas, mais tinhamos o que hoje muitos não tem.Paz!
Dormíamos cedo, nossa festa era só no dia 25, ai sim, comiamos, bebíamos, brincávamos, visitávamos os moradores do pequeno povoado, víamos gente diferente com roupas novas e bonitas, casais namoravam de mãos dadas, felizes, alguns se embebedavam,outros dançavam no terreiro de alguma casa.Eu adorava vestir minha roupa nova de natal, calçar meus sapatinhos novos, pois no natal sempre ganhávamos roupas novas, meu pai comprava os tecidos e minhas irmãs costuravam.Eu amava as calçinhas de elásticos nas virilhas, pois durante o ano minha mãe costurava calçinhas de um tal de morim, no natal eu ganhava uma nova comprada na loja do Nenem,ah, este era daltônico  ou do Sô Valdi (Senhor Valdir).Queria que todos vissem, sempre abaixava para que pudessem ver que minha calçinha também era nova e de elástico nas virilhas.E sempre que assim procedia, tomava um xingamento de minha mãe que dizia :Minina toma modo! Coisas de crianças..

Pois é ,eu cresci,tudo passou..
Mas posso dizer:Eu era feliz...e eu sabia!

Saudades deste espírito natalino, que hoje virou consumismo..
Saudades de tudo...Inclusive deles que me deram o natal, que me deram a vida..

Dona lia... (Maria)
E  senhor Torga..... (Otorgamim)


Meus pais....In memorian

Elizete Dias.