quarta-feira, 8 de agosto de 2012


                                               DIAS NUBLADOS

Sabe aqueles dias em que mesmo o sol brilhando, céu límpido, cenário perfeito e ainda assim as sombras persistem sobre você?.
Eu vivi assim, eu fui o meu deserto,tive as nuvens negras por companheiras. Aprisionei- me no meu próprio ego. Desfiz o meu o mundo,me recolhi em minha própria insignificância, era tudo que eu queria,meu silencio, minha dor,meu mundo e nada mais.
Ao meu lado, bem diante de mim as pessoas viviam, se amavam,iam , vinham. E eu ali, morrendo aos poucos. Minha casa era meu mundo, minha vida um abismo, meus dias ofuscados, e as noites gélidas,longas,sombrias a testemunhar minha dor e lagrimas.
A cama meu aconchego, onde prazerosamente  eu recebia minhas amigas,lindas cintilantes, as estrelas,elas sim me entendiam e toda noite vinham me visitar,a janela do meu quarto se abria e lá estavam todas esperando pra me ouvir.Algumas preguiçosas nem sempre apareciam, mas a  escudeira  como assim a chamei, esta era fiel,vencia as nuvens, vencia a escuridão só pra ficar comigo e ser me companhia até o nascer sol.
Vez ou outra nem nos despedíamos, o sono me roubava, claro que isto acontecia ao alucinante levitar provocado por uma droga, bendita droga tarjada de preta, em sua elegância rosa, diazepam, só assim eu conseguia livrar me de mim, por algumas horas..
E assim o tempo passava, e eu morria um pouco a cada dia. Minha carne se ia, minha elegância, minha beleza (se é que um dia a tive) enfim minha vida se passava.Em minha mente apenas o rei cantava,”Sem motivos vou vivendo por ai por viver Meus valores tão confusos reprimidos .... Troco passos sem sentido pelas ruas sem saber aonde ir.... E viver já nada mais significa
Até já me esqueci..... Volto para casa onde eu procuro me esconder, de pessoas que acreditam meus problemas resolver.Era toda verdade vivida por mim. .... Parecia cantar pra mim,falar de mim.
E o tempo passava lento, sem pressa, levando me para o ostracismo, lugar desconhecido, lugar do acaso..
Mas tudo na vida passa, e não há tempestades que durem para sempre.
E assim um dia, eu me encontrei, eu me reencontrei na paz de uma criança com seu sorriso simples e verdadeiro, seu olhar justo e profundo, a dizer verdades incontestaveis
Que só uma alma que que se esvai em um mar profundo de choros , lamentos e dor, pode decifrar,no balbuciar de uma boca ingênua e doce, o simples pedido de viva e deixe viver...
Hoje eu vivo.... hoje eu sou melhor que ontem,e já não faço do meu corpo o meu deserto,a minha alma fugiu escapou do mar negro e das cinzas da solidão.

BY Elizete